André Valente (2004)

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Sinopse

É quase Natal. André espera pela chegada do pai com as prendas que lhe pediu. Mas o que André realmente quer é que o pai fique em casa mais tempo e não discuta com a mãe. E que os miúdos na escola o parem de chatear. E que Susana não deixe de ser sua amiga.



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Detalhes

Ano: 2004
Estreia nacional: 16 de Setembro de 2004

País: Portugal
Género: Drama

Realização:
Catarina Ruivo

Intérpretes:
Leonardo Viveiros, Rita Durão, Dmitry Bogomolov

Links:
www.madragoafilmes.pt/andrevalente (site oficial)
www.madragoafilmes.com/sites/andrevalente/trailer1.html (trailers)
www.imdb.com/title/tt0419445

A crítica

ANDRÉ VALENTE não consegue furar a sua cápsula, vive encarcerado numa herança histórica e estética, procurando nela um reconhecimento, quando, para uma primeira obra, talvez fosse mais importante... mais ››
Francisco Ferreira, Premiere
Uma pequena surpresa (...) o que neste caso mais interessa é o trabalho da realizadora, de técnica segura e mão certa e sabendo dirigir os actores, sejam crianças ou adultos.”
Manuel Cintra Ferreira, Expresso

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Miguel Rodrigues Cardoso (Café Roubado)
Miguel Rodrigues Cardoso (Café Roubado) 21 de Maio de 2006

Com uma excepção ou outra, "André Valente" podia já intitular-se como o melhor filme que alguma vez vi. É um filme curto. Desta vez é o mundo das crianças que tão extraordinariamente se filma.
É extremamente natural, remonta uma vida, que se instala em nós e nos põe calados, sem sequer pensar, a ver as imagens passarem, sempre no silêncio português, com uma ou duas, ou três teclas de piano. Ao mesmo tempo, é só uma obra cinematográfica, um filme. Construído de pequenos 'skecthes', pequenos bocadinhos de filmagens, com um seguimento lógico cinquenta por cento criado pelo nosso bom senso, esta é uma pequena passagem na vida do André, um admirável puto. Não uma passagem como as das novelas, cheias de coisas e fenómenos extraordinários e que ao acabar nos afirmam que a continuação será plena de monotonia, pois "todos viveram felizes para sempre", mas uma passagem casual, com um caso ou dois de abandono. Abandonos que de tão naturais se revelarem ao longo do filme, e de tão ao olhar do pequeno André, nos aconselham a pensar nas suas razões, pois não nos são dadas.
A câmara é como se fossem os olhos do André. Pode não ser o mais didáctico possível pedir aos miúdos para dizerem "foda-se, nem sequer tinha mamas", ou chamarem "puta de merda", mas o que é certo é que isso só vai elevar o valor do filme. O André (Leonardo Viveiros) é filho de um casal comum, separado por motivos que não se chegam a explicar, simplesmente o pai (Pedro Lacerda) ora está em casa, ora não. O André anda, por isso, a desejar que ao chegar a casa encontre o seu pai, todos os dias. A mãe (Rita Durão) espera-o ao telefone, e desespera algumas vezes. Arranja um namorado. "O Victor (Ricardo Aibéo) é teu namorado?", "Não. É só um amigo." - "Não sabia que se fodia com os que são só amigos.", o miúdo na sua voz inocente, mas sábia, repleta de emoções fortes e adultas, expressas na espontânea mente que as pessoas adoram nos meninos e meninas. Ele é amigo da Susana (Camila Bessa), gosta muito dela, e os outros putos são maus, atacam-nos, e querem fazer pagar ao André o elogio da cara de colhão, por exemplo. A Susana também vai embora, mas vem uma outra menina para o prédio dele. Não esqueçamos o amigo russo, o vizinho. Nicolai (Dmitry Bogomolov) é o maior amigo do André, eles patinam juntos, ele é grande, mas está só, foi assaltado, o André é um coração d'oiro. Sem esquecer a mamã, sem esquecer a mamã!
A realização contou com a humilde e talentosa cineasta Catarina Ruivo. Único.

(http://www.caferoubado.blogspot.com/)

luis cristovao
luis cristovao 23 de Setembro de 2004

o andré, pode não parecer, mas está sozinho no mundo. aqueles que ele considera amigos, aquele que ele faz próximos, estão constantemente a ir embora. a mãe, estando presente, não lhe dá a confiança que uma criança daquele tamanho, daquela idade, oito anos, precisa. andré, pode não parecer, mas está sozinho no mundo. o mundo dele, o lumiar. e ninguém ama tão intensamente quanto ele.

o primeiro a partir foi o pai. não lhe disse nada, apenas deixou a sua ausência lá por casa. depois disso, foia sua amiga da escola. aquela que o defendia dos outros garotos, os que o gozavam, os que lhe batiam. andré parece um adulto quando pensa (e muito do que o vemos é o seu pensamento), mas é uma criança muito frágil no mundo lá dele. a amiga vai embora e ele fica exposto. por fim parte Nicolai, um vizinho, adulto, que acabou por o maravilhar numa pista de gelo. todos partiram. o andré precisa de amigos.

andré não sabe dizer pensamentos. ele pensa e pronto. ele percebe primeiro que o namorado que mãe lhe trás para casa só lhe vai fazer mal a ela. ele percebe primeiro que o Nicolai não tem jantar em casa. ele sabe que, no mundo dos grandes, se não dermos a mão a alguém ficamos sozinhos. ele sabe que as pessoas vão embora. ele sabe dizer asneiras. o andré é um valente. mas não deixem o andré sozinho.