Apocalypto (2006)

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a crítica

"O que fazer depois de «A Paixão de Cristo»?" deverá ter-se perguntado Mel Gibson, o grandioso actor que se converteu num polémico realizador. Teria sido fácil enveredar pelo caminho das adaptações como fizeram Peter Jackson, Steven Spielberg e outros tantos. Mas para Gibson a resposta foi bem mais radical: «Apocalypto».
Rodar um filme com actores totalmente desconhecidos, pô-los a falar o dialecto dos Maias e rodá-lo inteiramente na selva, não será propriamente o ideal para fabricar um blockbuster, mas Gibson provavelmente também não teria essa ideia.
O filme começa por nos mostrar a coesão de uma sociedade fechada, hierarquizada onde as influências sociais continuam a ser demarcadamente os mitos e velhos contos de outrora, e ainda um jovem sonhador da tribo que se destaca pela perspicácia e coragem, mas também pela dúvida. Depois, uma sociedade marcada por rituais, desigualdades, doença e "modernidade" subjuga a primeira e será o inicio de uma viagem pela deterioração dos valores morais, da família em prol da corrupção, da escravatura e do sacrifico. Mel Gibson definiu «Apocalypto» como um espelho da sociedade moderna, onde os valores éticos são subjugados pela mentalidade capitalista e fanático-religiosa e pela desmesurada evolução que conduz à perdição de uma inteira civilização.
Talvez o filme esteja apenas bem feito e convincente, contudo é inegável a sua capacidade de nos fazer pensar. Sobretudo, «Apocalypto» é um filme ímpar e um hino à sobrevivência.”
Paulo Figueiredo, Cinema PTGate
Sem grande importância pelo detalhe afectivo e pelas subtilezas humanas que poderiam nasccer dos seus desequilíbrios familiares, APOCALYPTO parece drenar a sua relevância a partir da violência progressivamente mais rebuscada que vai exibindo nos corpos. Servindo uma espécie de realismo televisivo, a câmara de Mel Gibson procura sempre o mais superficial de cada imagem”
Tiago Pimentel, Premiere