X-Men Origens: Wolverine (2009)

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a crítica

Infelizmente, a quantidade absurda de adaptações de BD com resultados execráveis, leva-nos a abordar um novo filme do género sempre com algumas reservas. Em causa está toda uma mística ou, utilizando o termo de Walter Benjamin, uma aura reminiscente de obras literárias cujas histórias e personagens apaixonaram milhares de pessoas pelo mundo inteiro. Talvez por isso se torne tão complicado recriar no cinema esses personagens que no papel davam lugar à interpretação do leitor, que preenchia os "buracos" da história e acrescentava às imagens paradas algo absolutamente fundamental: o movimento. Ora, transportar este imaginário para o cinema é já à partida uma tarefa complicada, mas não impossível. Relembremos por instantes, as magnificas transposições de «Hellboy», «O Senhor dos Anéis» ou mesmo de «Batman». A questão essencial está então na forma que se pretende dar ao resultado final da adaptação, com maior ou menor preservação da tal aura inerente à banda desenhada.
No caso de Wolverine, parece pura e simplesmente não existir um verdadeiro propósito para a feitura do filme, a não ser a tal questão das origens, que soa mais a franchise de encaixe financeiro fácil. O mais grave é que a dada altura, muito por culpa da deficiente estrutura narrativa e do encaixe a martelo de vários personagens (Gambit e Scott Summers, por exemplo), a acção, que se queria envolvente e electrizante, dê lugar a consecutivos bocejos e olhadelas para relógio. Com tudo isto, não há mística que resista.”
Paulo Figueiredo, Cinema PTGate
(...) como é possível que se gastem milhões e milhões em cenografia e efeitos especiais e tudo seja filmado com a banalidade do mais rotineiro videoclip?”
João Lopes, Diário de Notícias