Deixa-me Entrar (2008)

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a crítica

Em «Deixa-me Entrar» estamos perante um importante capítulo do processo de humanização da personagem vampiro que desde «Nosferatu» de Murnau não pára de sofrer mutações. Parece haver uma tendência para modificar a personagem para algo mais facilmente aceite, seja pelo romantismo exasperado do Drácula de Coppola, seja pela luta pela sobrevivência dos vampiros de Carpenter ou finalmente pelos vampiros adaptados à sociedade de Hardwicke, sendo mesmo impossível ver «Deixa-me Entrar» e não pensar em «Crepúsculo».
Estamos perante histórias bastante semelhantes, que divergem apenas num ponto que se verifica ser fulcral: enquanto «Crepúsculo» visa a criação e comercialização de ícones pop, «Deixa-me Entrar» segue o caminho oposto, denotando-se um esforço consciente do realizador Tomas Alfredson em fazer um filme de culto que, em vez de romantizar e glorificar o vampirismo, atribui-lhe um cariz mais sombrio e se quisermos, mais «verosímil».
Parece, no entanto, haver bastante mais neste filme do que um mero conto sobre o fenómeno dos vampiros. Algumas temáticas são abordadas de fora subtil, como a quase total ausência de tecnologia (esqueçam a internet e os telemóveis), não sendo por acaso que o código morse é habilmente adaptado pelos jovens protagonistas como meio de comunicação, assim como algumas referências à homossexualidade sugeridas entre determinados personagens.
«Deixa-me Entrar» apenas carece de algum ritmo e do aprofundamento de alguns personagens (os pais de Oskar, por exemplo), sendo de resto um óptimo filme saído da quase inexistente escola de terror sueca.”
Paulo Figueiredo, Cinema PTGate
O que faz a novidade? Uma encenação rigorosíssima, um frígido olhar que recobre o excesso de sentimentos e de emoções, como se Ingmar Bergman descesse aos abismos do género-terror para lhe extrair um inusitado desespero”
Mário Jorge Torres, Público