Desgraça (2008)

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a crítica

De predador a vítima. Eis o que o argumento de «Desgraça» faz a John Malkovich, que interpreta um professor universitário acusado de se envolver com uma das suas alunas. Acusação que ele aceita e confessa, sem qualquer tipo de arrependimento. Se a personagem nesta fase inicial nos faz sentir repugnância, depressa a sua condição se altera por completo, vendo-se Malkovich numa posição dúbia em moralidade e sem qualquer tipo de autoridade para expressar opiniões, ainda que seja agora uma vítima da África do Sul, pós-Apartheid. Ora, se a história não vos parece estranha, é porque «Desgraça» é, na verdade, uma adaptação literária da obra com o mesmo nome de J. M. Coetzee. Uma história que aborda a condição humana numa perspectiva de colocar o mesmo personagem nas duas faces da mesma moeda e deixá-lo espalhar-se ao comprido enquanto tenta ter razão nas duas situações que lhe são adversas, a primeira sem razão, a segunda no oposto. John Malkovich é perfeito para o papel, pela frieza com que interpreta a primeira personagem e pela humanidade com que interpreta a segunda. No que toca à sua generalidade, a grande virtude do filme é a intensidade dramática e de nos arrastar para o epicentro de todo aquele estranho moralismo. Como defeito, o deficiente ritmo da acção e muito provavelmente, a indiferença que o grande público e até a crítica lhe dará.”
Paulo Figueiredo, Cinema PTGate
Nada é a preto e branco aqui, nada é vulgar e, para tal muito contribui Malkovich no seu maior papel dos últimos anos”
Francisco Ferreira, Expresso