O Artista (2011)

poster

a crítica

No meio de tanta tecnologia e possibilidades, é fácil perdermo-nos em tentativas de celebrar feitos que mais não são do que objectos de nostalgia com fogo de artíficio misturado, para capitalizar emoções juvenis através de um impressionismo superficial. Falo naturalmente de filmes que instrumentalizam as novas tecnologias com o objectivo de mostrar algo que apele às emoções, fazendo desse meio um fim em si mesmo, ou seja, o filme transforma-se num meio de potenciar a tecnologia e não o contrário. As últimas duas décadas têm sido produtivas em objectos desta natureza. As adaptações de BD são o exemplo paradigmático disso. Contudo, vão surgido aqui e ali filmes que conseguem usar a tecnologia precisamente para perpetuar momentos e transmitir mensagens que vão para além do display de técnica. «O Artista» é um desses casos e possívelmente será um exemplo capital no futuro. O objectivo do filme é recuperar uma época vital da história do cinema, mais concretamente, a passagem do mudo para o sonoro e a forma como a indústria e os seus intervenientes tiveram de se adaptar a novas realidades. Mas não se pense que é um filme-documentário fechado sobre o mundo do cinema. Hoje, com as profundas alterações socio-económicas que atravessamos, «O Artista» transcende a sua época e revela uma lição de vida de dificuldade e superação, adequada à realidade actual. Mesmo que o melodrama atinja por vezes níveis que poderão roçar o onírico romântico, a verdade é que tudo funciona e é abrilhantado por actores sublimes, um enredo apaixonante e sequências que valeriam por si só uma especial menção. Evidentemente que vou deixar que o descubram por vocês próprios e que, ultrapassando a natural barreira de ser um filme mudo a preto e branco, sejam depois "atropelados" emocionalmente pelo seu alto calibre. Admito que a farta adjectivação não favorece uma crítica imparcial, mas faço questão de salientar que esta é a crítica mais parcial que alguma vez tive o prazer de redigir. Entre a «Árvore da Vida» e «O Artista» venha o diabo e escolha! Talvez a Academia devesse galardoar dois filmes este ano.”
Paulo Figueiredo, Cinema PTGate
(...) perante um material tão sugestivo, o filme limitar-se-á a desenvolver uma homenagem nostálgica à época de ouro de Hollywood (...) Serve, porém, para nos fazer perceber até que ponto o cinema mainstream de hoje se tornou desnecessariamente palavroso”
Vasco Baptista Marques, Expresso