A Casa na Floresta (2011)

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a crítica

Não é fácil hoje em dia um filme de terror surpreender. Ainda mais quando o significado de filme de terror é hoje sinónimo de sangue e sustos fáceis. Os filmes de terror dos anos 80, considerados como clássicos, pouco tinham de óbvio ou visível, era tudo feito com noção de atmosfera e com brilho de argumento para se fazer acreditar. Isto é, jogava-se com uma espécie de terror induzido onde o espectador preenchia os espaços vazios. Um dos traços do cinema de terror actual é precisamente o contrário, está tudo à vista, tudo é explicado ao pormenor e faz-se do explícito uma carta ás do baralho. Basta lembrar o traço principal de filmes como «Saw» e «Hostel» onde o carácter sanguinário quase se sobrepõe à própria história, não querendo dizer com isto que são maus filmes, antes pelo contrário. Mas são de diferente estirpe. «A Casa na Floresta» joga inteligentemente com estes dois factores. Se por um lado nunca chega ser um filme de terror verdadeiramente dito, pois nunca recorre ao rótulo de sanguinário, por outro o argumento é de tal forma explicado que não ficam pontas soltas para a imaginação do expectador preencher. Quanto ao primeiro factor, não chega a ser um problema, pois se nos lembrarmos de um «Evil Dead», também pouco ou nada tem de terror, mas que não deixa de ser considerado um clássico do género. Quanto ao argumento, apesar de explicado detalhadamente, fica-se não obstante com a vontade de inverter o ditado popular e dizer, o rato pariu uma montanha, tal é a escalada impressionante que o filme exibe. Mas o mais original e interessante será talvez a forma como o filme pega no velho cliché do grupo de jovens vai passar férias a uma cabana isolada e transforma-o num esquema de proporções épicas, conjugando todos os filmes feitos até hoje com esta premissa, num único filme. Irão sentir falta de alguns gritos e desmembramentos, mas recordo que o cinema de terror clássico, não se faz do explícito, mas do implícito e neste âmbito, «A Casa na Floresta» conquistou-me definitivamente.”
Paulo Figueiredo, Cinema PTGate