(2013)

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a crítica

O interesse maior em redor deste segundo episódio de «Star Trek» não é tanto o facto de ser em si uma continuação do novo universo explorado por JJ Abrams, mas antes o anúncio de que este será o realizador da próxima saga «Star Wars».
O filme em si mais parece uma qualquer teoria da conspiração influenciada na Guerra ao Terrorismo perpetuada pelo Governo norte-americano. Um individuo que já pertenceu à frota estelar vira-se contra os seus empregadores e organiza um atentado terrorista. Em jeito de vingança segue-se uma caça ao homem que os leva a invasão de território alienígena. Mas tudo afinal não passa de um jogo de guerra entre terrorista e administração, para o qual inocentes soldados são arrastados, com um final que não põe "a Terra em causa" como a publicidade enganosa decreta, mas provoca um aparato significativo.
Quanto ao realizador, tenho as minhas dúvidas quanto à sua utilidade em «Star Wars».
Estamos perante um realizador que parece pensar num filme como uma metralhadora de imagens. O estonteante jogo de câmaras de Abrams, que mais parece sofrer de tremuras do que outra coisa, é celebrado na montagem do filme, que é feita de planos que duram abaixo do segundo de duração, dando um efeito alucinogénico ao todo.
Este efeito é utilizado para se ter a noção de velocidade de história e causa no espectador um efeito de non-stop motion. Diria até que esta estratégia impede o espectador de pensar em seja o que for, tal o bombardeamento de cortes e imagens de que é alvo. Logicamente tudo adornado com tecnologia de ponta, efeitos especiais e CGi top notch, que dão a ideia de produção milionária e muito empreendimento.
Na verdade, o custo de produção deste género de filmes tem vindo a descrescer face ao volume de negócio posterior. Isto é, tendo em conta o lucro espectado, o investimento inicial tem sido cada vez menor. Sacrifica-se em qualidade e, claro, no "factor humano", praticamente ausente deste delirante e esquizofrénico filme. Quem gostou do primeiro tomo, certamente gostará deste. Temo apenas pelo universo «Star Wars», pela sua riqueza inerente, muito mais pertinente do que mil Star Treks.”
Paulo Figueiredo, Cinema PTGate