Marie Antoinette (2006)

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a crítica

Falar de Sofia Coppola sempre deu-me vontade de rir. Porquê? Porque a realizadora possui dois filmes em carteira: o interessante e bem conseguido, mas mediano "As Virgens Suicidas" e o ultra empolado "Lost In Translation", que é uma bela peça de cinema, mas pouco mais do que isso. Por estas razões, surpreende-me que a mulher seja nesta altura um fenómeno de culto. Está na moda? Sim, deve ser por isso provavelmente.
"Marie Antoinette" tenta então estabelecer Sofia como uma realizadora à parte. A cineasta pega numa figura histórica, sobejamente conhecida nos quatro cantos do mundo, atribui-lhe uma roupagem fashion, uma banda sonora avantgarde e lá vamos nós, atrás da Sofia Coppola e da sua pretensa obra-prima.
Primeiro ponto: Este filme é uma autêntica passerelle de moda. As vestes possuem arranjos modernos que não haviam na época. E os actores estão sempre mal maquilhados.
Segundo ponto: As falas são fúteis, a fotografia péssima, a edição desleixada e Kirsten Dunst é uma actriz sem personalidade para personificar o papel dado.
Terceiro ponto: Será que alguém conseguiu não ver a câmara no espelho e numa determinada sequência até aparece uma de cada lado do ecrã?
Terá sido de propósito? Ou esquecimento? Com a efemeridade com que os filmes nos dias de hoje são enfrentados, a polémica é a melhor arma contra a indiferença dada a determinado filme após uma semana de estreia e consequente tomada de posse de uma nova estreia sonante. A polémica instalou-se e o filme será visto por mais umas centenas de pessoas com curiosidade em ver os erros. Coppola parecia ser inteligente, sensível e honesta na abordagem aos seus filmes, mas actualmente não passa de uma realizadora da moda que não tardará a ser incluída no lote dos acidentes de percurso.”
Paulo Figueiredo, Cinema PTGate
A tentativa de Sofia Coppola de reinventar o filme histórico como se se tratasse de uma ópera pop (...) é uma digna abordagem, embora, no limite, falhada por uma estranha letargia narrativa, humana e afectiva. A futilidade de MARIE ANTOINETTE não deriva de nenhum mérito artístico do filme”
Tiago Pimentel, Premiere