Modigliani (2004)

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a crítica

Estamos em 1919. A Primeira Grande Guerra acabou e a vida nocturna em Paris está cheia de paixão escura e obsessão descontrolada. Esta é a história da rivalidade entre Modigliani (Andy Garcia) e Picasso (Omid Djalili). Dois homens cuja inveja um do outro é alimentada pelos seus brilhos, arrogâncias e paixões. É também a história da maior tragédia amorosa na história da arte. Jeanine Hebuterne (Elsa Zylberstein) era uma jovem e bonita rapariga católica, cuja única falha, segundo seu pai, foi apaixonar-se por Modigliani, um judeu. Mais tarde Modigliani é confrontado com a necessidade de se inscrever num concurso onde Picasso e outros grandes pintores estarão presentes.

"Modigliani" não é um filme tão mau como o pintam. Trata-se de uma obra despretensiosa, inconsequente é certo, mas artisticamente aceitável. A história baseada num artista rebelde e egocentrista não é de facto novidade (ver "Frida" ou "Pollock"), mas consegue neste caso em particular transmitir a carga dramática necessária para efectivar algum interesse à película.

Não é de todo um filme perfeito, prima por descuidos fatais como a própria duração do filme, cujo final alonga-se de forma desnecessária, pela inclusão de Edith Piaf na banda sonora de um filme passado em 1919 quando a cantora nasceu em 1915 ou ainda pela presença de uma tomada eléctrica num flashback datado de 1892 quando esta foi inventada por Harvey Hubbell em1904. Andy Garcia está longe de ser genial e Mick Davis, o realizador, mostra-se incapaz de extrair o melhor de um filme que bem puderia ter sido excelente.

"Modigliani" trata-se de uma obra interessante a nível histórico, em algumas fases bastante cativante, mas longa de ser essencial.”
Paulo Figueiredo, Cinema PTGate
(...) o filme mantém-se discretamente à distância. É pena.”
Manuel Cintra Ferreira, Expresso