Invictus (2009)

poster

a crítica

Este seria à partida um dos maiores desafios da carreira de Clint Eastwood, que vindo de um conjunto de filmes nada menos que soberbos, teria de retractar cinematograficamente uma das mais emblemáticas personalidades do século XX, evitando cair na banalidade de um biopic que não fizesse justiça a toda a mística de Nelson Mandela. Para tal, Eastwood chamou Morgan Freeman, que tem aqui uma interpretação para finalmente fazer esquecer o Detective Sommerset. Num filme que se centra no preponderante papel que o râguebi e o campeonato do mundo da modalidade realizado em 1995 na África do Sul desempenharam para unir o país e eliminar de vez as réstias do Apartheid, Eastwood é bem sucedido na construção da personagem Mandela, ao ponto de chegarmos a sentir a sua ausência nas sequências em que Freeman não participa. Exemplo disso é a arrepiante sequência da visita da selecção de râguebi à prisão onde Mandela esteve prisioneiro, especialmente na cena de Damon dentro da cela do líder sul-africano. Mas se grande parte do filme explora esta assombrosa presença de Freeman/Mandela, já o final se faz depender de uma lógica dramática algo forçada, que apesar da parte técnica estar absolutamente irrepreensível no que toca à mise en scène e à direcção de actores e figurantes, deixa um amargo travo na boca, pelo "facilitismo" com que Eastwood resolve o seu filme.
Em suma, no contexto da filmografia de Clint Eastwood, «Invictus» é um filme menor mas que faz, à semelhança de «A Troca» e Angelina Jolie, com que Morgan Freeman brilhe como as estrelas da idade de ouro do cinema americano.”
Paulo Figueiredo, Cinema PTGate
(...) está a milhas de poder ser classificado como irrelevante (...) é, apenas, um filme menor na carreira de um grande cineasta”
Vasco Baptista Marques, Expresso