Nas Nuvens (2009)

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a crítica

Para alguns filmes, o contexto economico-social é absolutamente vital. Assim se pode explicar o sucesso de «Este País Não é Para Velhos» e «Babel», filmes de retrato social actualíssimos, que fazem enorme sentido ver na época em que são projectados. Existe neles algo de muito familiar, que estamos habituados a ver nas notícias de jornais, na televisão ou na internet. É um fenómeno tão antigo como o próprio cinema, isto é, o contexto é uma das chaves para se compreender o porquê de certos filmes terem sido feitos naquelas específicas épocas. Por exemplo, o Expressionismo alemão faz sentido na época em que «decorreu» pelas vicissitudes da própria Alemanha, mergulhada em profunda depressão e à beira de um colapso político. Em suma, seria natural que o cinema reflectisse esse estado social. «Nas Nuvens», realizado por Jason Reitman, é um desses filmes, como foi aliás a sua anterior obra «Juno». Um reflexão sobre a sociedade actual, ou pelo menos sobre alguns fenómenos, como o estado da economia global, (o termo «Glocal» desenvolvido no filme é genial), o desemprego e a desagregação social.
George Clooney é Ryan Bingham, um viajado contractado de uma empresa de recursos humanos, que ganha a vida a despedir pessoas e que vive obcecado em atingir a marca das 10 milhões de milhas no seu cartão de cliente de uma companhia aérea. Com a ameaça de uma revolução na empresa, em que os despedimentos passarão a ser efectuados através de um call center centralizado na sede da mesma, Bingham sente o seu estilo de vida ameaçado e perante o seu protesto é obrigado a levar em viagem a jovem Natalie (Anna Kendrick), autora do sistema de despedimentos por call center, para lhe mostrar os ossos do ofício. Ora, apesar de parecer um típico road movie (air movie será neste caso mais apropriado), «Up in the Air» é formidável na forma simples como desenvolve a temática do desemprego na América e das cada vez mais difíceis relações humanas, subjugadas ao poder da economia. Nos reveladores diálogos, nas situações de comédia inteligentemente colocadas para aliviar a tensão, no ritmo da acção que é quase sempre lenta, mas extremamente cativante nos detalhes. Um único senão para o desnecessário tom documental no final do filme, desculpado pela genialidade de tudo o que vimos antes. O primeiro grande filme de 2010 e, senhores e senhoras... que filme!”
Paulo Figueiredo, Cinema PTGate
Narrado num estilo fluente, e com notável domínio da comédia dramática”
Nuno Carvalho, Notícias Sábado