Visto do Céu (2009)

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a crítica

Numa fórmula que teoricamente tinha todas as capacidades para ser um sucesso, o realizador de «O Senhor dos Anéis» e «King Kong», Peter Jackson adapta «The Lovely Bones» (2002) de Alice Sebold, um dos mais bem sucedidos dramas literários dos últimos 10 anos. Teoricamente a fórmula teria tudo a seu favor, mas cinematográficamente o resultado deixa muito a desejar. Não pela história em si, que até apresenta diversas omissões, como a relação adúltera entre Abigail Salmon (Rachel Weisz) e Len Fenerman (Michael Imperioli), mas antes pela notória falta de harmonia entre o mundo que Jackson cria para Susie Salmon (Saoirse Ronan), recorrendo aos exageros do CGI, e o mundo real, que a partir de certo ponto não representa mais do que um penoso arrastar dos personagens até ao momento em que a irmã de Susie, resolve agir. É igualmente estranha a ausência de dramatismo credível, que inicialmente existe, mas que rapidamente se transforma e faz o filme cair no mesmo limbo em que Susie está. O ritmo da acção é devagar, lento e parado, as narrações são várias e a maior parte não acrescenta nada à história e os personagens ressentem-se do aparato visual que Jackson privilegia, em detrimento de um aprofundamento do drama humano. Em suma, Jackson faz um filme sauve e superficial, sem a acutilância que se lhe pedia e ainda por cima deleita-se na instrumentalização da estética visual como forma de desagravar o clima carregado do história. «Visto do Céu» é, em suma, quase um feel good movie. Quase...”
Paulo Figueiredo, Cinema PTGate
Empapado na banda sonora de Brian Eno e a abarrotar de imagens digitais pirosas, este é o filme menos consistente de Peter Jackson.”
Eurico de Barros, Diário de Notícias