O Aprendiz de Feiticeiro (2010)
a crítica
Um dos mais importantes fenómenos inerentes ao poder do Cinema é a capacidade que existe em criar personagens que serão vistos por um vasto número de espectadores e que potenciam a referenciação destes com o mundo projectado na tela. Esta referenciação pode ser trabalhada pelo argumentista para que o espectador seja conduzido a uma espécie de catarse pré-definida. Bastará para isso, desenvolver personagens e situações com as quais o espectador se identifique, isto é, quanto mais credível for a história e os seus personagens, mais facilidade terá o espectador em assimilar e envolver as suas próprias emoções na forma como assiste a um determinado filme. Os arquétipos de Carl Jung ajudam a perceber bem como no Cinema é possível transformar personagens fictícias em autênticos ícones contemporâneos. George Lucas identificou bem cedo a fórmula e adaptou-a para a sua epopeia interestelar. O exemplo de «Star Wars» é, aliás, um dos mais importantes para se perceber a importância do uso dos arquétipos para aproximar a ficção do público. O mais famoso é o arquétipo do herói que «Star Wars» tão bem representou: um jovem humilde com ambição, vê-se envolvido numa guerra universal da qual vem a saber ser a chave da resolução. Os pormenores que Luke Skywalker vai descobrindo ao longo do filme vão enriquecendo a personagem tornando-a mais complexa e credível. Isto funciona na perfeição na mente do espectador que vê projectado no écrã um íntimo desejo de aventura, poder e transcendência. «O Aprendiz de Feiticeiro» joga precisamente com os arquétipos junguianos. Dave (Jay Baruchel) é um rapaz humilde, craque em Física, que descobre afinal ser um feiticeiro que deverá impedir o fim da humanidade. Para o ajudar, Balthazar Blake (Nicolas Cage) vai ensiná-lo a domar as artes da magia, enquanto ambos lutam contra Maxim Horvath (Alfred Molina) que pretende libertar a maligna Morgana LeFay (Alice Krige) da sua prisão milenar. Contudo, o que poderiam ser instrumentos de aproximação do público a uma ficção difícil de digerir, são somente caricaturas simplistas jogadas numa história parva e sem nexo, ao contrário do esforço de realismo protagonizado por George Lucas. Concluíndo: «O Aprendiz de Feiticeiro» é um filme que cresce torto e feio, devido à falta de atenção dada às raízes da sua fundação; não chega povoar um filme de arquétipos do herói, vilão e tutor, se estes são retractados com uma superficialidade atroz.”
Paulo Figueiredo,
Cinema PTGate
A superabundância de efeitos digitais não mascara a total ausência de sentido da magia cinematográfica. Antes o Harry Potter.”
Eurico de Barros,
Diário de NotÃcias