Cisne Negro (2010)

poster

a crítica

Darren Aronofsky começa a cimentar a sua posição como um dos mais brilhantes cineastas da actualidade, quer pela sua muito peculiar mas decidida forma de captar os movimentos, quer pelas ideias formidáveis com que teima em espantar o mundo do cinema. As suas cinco longas-metragens são exemplo de uma filmografia perfeita, sempre em evolução, ainda que «The Wrestler» e «O Cisne Negro» se assemelhem bastante tecnicamente. Não obstante, em «O Cisne Negro», Aronofksy usa as câmaras de forma mais subtil e progressiva, isto é, a câmara aproximada que se movimenta durante os ensaios de Nina, contrasta com os maneirismos formais da sequência da performance final, como que a invocar um ritual desde a imperfeição até ao êxtase final em que a transformação é completa. É completa através da personificação total da personagem que não só Nina Sayers como a própria Natalie Portman representam, num terceiro elemento: o cisne. Nina transforma-se enfim no cisne negro, o símbolo da mitologia grega para a noite e que representa a potência feminina. Aronofsky filma a transformação da rapariga em mulher, através da libertação sexual, que Thomas Leroy (Vincent Cassel) e Lily (Mila Kunis) incentivam, aliada a uma forte vontade de poder, fazem com que Nina atinja o pináculo não só da representação na peça de teatro, como também na representação da própria vida, fazendo dela uma espécie de símbolo de Vénus. "Perfeito" diz Nina no final da sua actuação. Tão perfeito quanto a noção de que a vida é um palco e nós somos os seus actores e queremos ter a performance ideal. Nina não é apenas um símbolo feminino, mas de todos nós, que almejamos a perfeição no trajecto repleto de desvios que é a própria vida.”
Paulo Figueiredo, Cinema PTGate
É um filme tão supinamente pretensioso e tão comezinho que se torna risível”
Jorge Leitão Ramos, Expresso