Depois da Terra (2013)

poster

a crítica

Poderiamos dizer que M. Night Shyamalan é um realizador apostado em trabalhar o "medo", não como artifício para provocar sustos fáceis, mas como conceito profundo da nossa cultura humana. Olhando para a sua filmografia torna-se claro que «After Earth» é um filme que encaixa bem no historial do cineasta, embora o conceito por detrás deste filme até seja na verdade, da autoria de Will Smith.
De tons rousseaunianos, a história conecta uma futura espécie humana exilada num novo planeta (depois de ter aniquilado a Terra) de novo com um rejuvenescido planeta Terra onde "tudo evoluiu para matar seres humanos". Bom, como nos vamos apercebendo, nem tudo, mas a perspectiva algo naturalista de que os monstros somos nós que os trazemos para a vida real e que são criação nossa, ajuda a perceber onde quiseram Will Smith e Shyamalan chegar com este filme. O diálogo de Smith, "o medo apenas existe nas nossas cabeças" faz uma clara alusão ao "medo" como projecção mental e cultural e não como natureza humana.
Mas uma coisa é a vontade de aplicar estes temas num filme, outra é consegui-lo, e por muito interessante que a ideia seja, o filme está longe de proporcionar não só uma compreensão efetiva destes tópicos (parece mais um ritual de iniciação ou uma segunda oportunidade na Terra) como se revela uma experiência superficial e no geral inofensiva, pelo menos em comparação com filmes mais antigos de Shyamalan como «Sixth Sense» e «Signs».
«After Earth» fica mais ao nível de um «The Happening» ou «Lady in the Water». Todos revelam uma vontade do cineasta em trabalhar assuntos profundos como o "medo" e a "cultura", mas por motivos que desconhecemos (comerciais? artísticos? desinspiração?) nunca passam de sóbrios filmes de acção. Para ver, sem grandes expectativas.”
Paulo Figueiredo, Cinema PTGate